• Os achados feitos nas escavações, nomeadamente o notável conjunto de mármores esculpidos, que decoravam a parede da villa, podem ser apreciados no Museu do Rabaçal, instalado na Aldeia do Rabaçal

  • Museu do Rabaçal, com exposição permanente.

    Horário de Funcionamento:

    Terça a Domingo das 11h às 13h e das 14h às 18h

  • Miradouro de Chanca, dotado de painel explicativo sobre diferentes pontos de interesse na paisagem, constituindo-se como um olhar sobre diferentes tempos de ocupação.


 

 

 

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Exposição  “Villa Romana do Rabaçal: era uma vez..”

 

O Homem e a Mulher olharam à volta, comunicaram e serviram-se da natureza. Geriram o fogo. Trabalharam a pedra, o minério, o barro e a areia. Rodearam-se de animais, araram a Terra, melhoraram o transporte e aumentaram os rebanhos. O Homem e a Mulher olharam à volta, interrogaram-se, e encetaram outro tipo de relação: a relação com o extraordinário.

 

A PEDRA

 

É diversa: o calcário sai de pedreiras locais; o mármore vem de locais mais distantes e encontramo-lo de cor branca, cinza, rosa e verde.

Arma, na domus, ou seja, na residência senhorial desta granja ou quinta agrícola (villa), a parede de silharia e de alvenaria. É objecto de trabalho do cabouqueiro, canteiro, pedreiro, mosaicista e escultor ; é medida em pés (29,5 cm), em palmos (1/4 de pé) e dedos (1/16 do pé), sendo 15 pés a medida padrão escolhida para esta construção. Merece uma atenção particular de Vitrúvio no manual de arquitectura.

Sobe através de máquinas apetrechadas com roldanas e sarilhos; segue a dorso em zorras e carroças; serve bem como soleira de portas e peitoril de janelas, lintel e ombreira, e, ainda, como lage do pavimento da eira.

Transforma-se, quando calcário e submetida a cerca de 900°, em cal viva, que depois, juntamente com cal e areia, dará a necessária arga­massa para a construção e para a decoração do estuque. Assume, na arquitectura, a forma do lancil, do pedestal da base da coluna, do fuste, do capitel, da cornija, do revestimento parietal ou em baixo relevo, da tessela policroma do pavimento de mosaico.

Ganha, aqui, nas mãos do escultor, como elemento decorativo por excelência, a fina e persistente forma do nobilitante acanto; ganha no mosaico, a exuberância da cor em mais de uma centena de motivos geo­métricos e florais, (incluindo os "acantos dourados"), bem como em figuras de retrato - que são 9 e integram dois conjuntos de 4 estações, onde entre outros motivos, tem destaque a espiga do cereal. Exibe forma circular na mó de grés, que apresenta moega e inclinada superfí­cie trituradora; com ela se chegará à farinha, que há-de dar o pão.

 

Encontramo-la aqui, na villa romana do Rabaçal, de calcário, de mármore e de grés, mas ainda a encontramos de quartzo, em artefactos de silex. Estaremos perante objectos reutilizados como produtores de fogo, vulgarmente conhecidos por isqueiros de pederneira? A sua ori­gem remete-nos para época bem anterior ao domínio romano, remon­tando ao calcolítico. De qualquer modo, estes diminutos objectos agi­gantam-se na conquista do fogo - uma das mais extraordinárias aventuras humanas.

 

O METAL

  

Vem possivelmente de ferrarias não distantes, como pode sugerir a toponímia local. Deixa vestígios de jorra ou escória na villa rústica, a norte da residência senhorial, sinal certo da existência duma fundição e forja no local, tão necessárias como apoio à construção em curso e aos diversos trabalhos desta quinta agrícola.

Serve bem como material de construção, sendo disto exemplo os pre­gos e as cruzetas para suporte dos vidros das janelas; os grampos de fixação dos baixo-relevos e os espelhos de fechaduras onde penetram as chaves de ferro.

Ganha a forma do utensílio no que respeita ao escopro, à goiva, ao estilete e ao buril.

Deixa reflectida, no loca], a preocupação com a pastorícia e o traba­lho da terra no que respeita, nomeadamente, aos chocalhos, à ferra­dura, ao sacho e às foices.

Está presente ainda, em recipientes de cozinha; em artefactos de escrita e de armamento, concretamente, em pontas de lança e pilum; em objectos de adorno, onde sobressaem o anel, o alfinete e o aplique circular; numa invulgar escultura representando uma nobilitante cabeça de leão.

Ganha a forma circular da moeda e, como tal, é de vários tempos, sobretudo dos séc. III. IV e V d. C. Chega-nos de diversos pontos do vasto Império, como sejam Roma (Itália), Síscia (Croácia), Lyon (França), Constantinopola (Turquia), Arles (França) e Treveri (Alemanha).

Dá corpo, ainda, a um núcleo de moedas portuguesas dos séc. XV e XVI, mas importa realçar no contexto do estudo desta villa, aquele outro núcleo vindo dos séculos anteriores, como referido, e que nos fala dos imperadores de Roma: das suas nomeações e dos seus opositores; das alegrias das suas vitórias e da dor dos escravos vencidos; da loba e dos gémeos, figuras centrais do mito da origem de Roma; da numeração romana e dos caracteres gregos e latinos: das línguas dum então ainda Império que, ligado por estradas, ia do Atlântico ao Próximo-Oriente; dum pseudo triunfalismo, escondendo o esboroar do Império que se avizinhava próximo: da religião vitoriosa — o Cristianismo — que o impe­rador Teodósio haverá de proclamar como religião do Estado.

 

A CERÂMICA

  

É, como a pedra, um outro elemento dominante na construção desta residência senhorial, bem como do balneário e anexos para armazéns e alojamentos de homens livres, de escravos e animais. Encontramo-la nos tijolos e tijoleiras de pavimento; no restauro de mosaicos; nas telhas planas (tegulae) e curvas (imbrice) dos telhados; na arcaria dos tijolos de fornalha e câmara de aquecimento para banhos (hipocaustum); em tubos de abóbada para a construção; em arcos de fecho de abóbada, no balneário; em aduelas de arco para passagem de ar quente em ligação à chaminé e, ainda, como resposta ao controle da condensação da humi­dade, nas paredes do balneário; no formigão ou opus signinum arga­massa de tijolo moído, cal e areia indispensável à impermeabilização de tanques, canalizações e celeiros; na repavimentação do mosaico num momento já tardio e decadente da ocupação da villa. É omnipresente no trem de cozinha (panelas, alguidares, copos, frigideiras, jarros) para confecção de alimentos; no transporte e armazenamento de água. vinho, azeite, mel e conservas (ânforas, bilhas, potes e talhas); na mesa (pra­tos, copos, travessas, pires, jarrinhas, malgas), no quotidiano, ao pequeno almoço (jentaculum), ao almoço (prandiurn), e ao jantar (cena), apresentando formas e materiais por vezes muito depurados, como era característico da cerâmica oriunda das muito qualificadas ofi­cinas do Norte de África.

Integra também o artefactuário ligado à iluminação, como eviden­ciam os fragmentos de candeias ou lucernas; à tecelagem, como mos­tram bem os pesos de tear vertical onde se teciam os panos de linho e de lã; aos lacticínios, como parece sugerido pelos recipientes cerâmicos perfurados, que se nos afiguram, provavelmente, como coadores, ante­cessores dos modernos acinchos de metal.

 

O VIDRO

  

É um material tão delicado como versátil. Exige que o trabalhemos com uma acrescida atenção e que o olhemos com acuidade quando exibe pormenor decorativo.

Apresenta-se-nos sob a forma de fragmentos de taças, copos, jarros, adornos e tesselas de mosaicos e, sendo assim, é elemento diferencia-dor à mesa do nobre, no pulso da dama e no pavimento da residência senhorial.

Veste-se de amarelo, branco, azul, verde e laranja, tendo cambiantes de turqueza e cinzento; ora se apresenta opaco, translúcido ou transpa­rente.

Ganha a forma por sopragem - uma delicadíssima técnica -, por mol­dagem e por gravura à roda, sendo notório, nos finos acabamentos, o corte de tesoura e o uso da pinça de vidreiro.

É frágil e como tal, só sobreviveu em muitos pequenos fragmentos. No entanto, oferece-nos, aqui e ali, caprichosas formas (encordoados, linhas serpentiformes, canelados e bordos trilobulados) e bem desenha­dos motivos decorativos de que ressaltamos um exemplar da omnipre­sente folha de acanto.

 

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